CSP 2005 - CHILE

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Dias 9 e 10 de abril teve início o Circuito Sul-Americano de Paintball (CSP 2005), com seu primeiro torneio em Santiago, Chile. A viagem de avião durante o dia já vale a pena só pela paisagem de tirar o fôlego, quando o avião passa muito próximo à Cordilheira dos Andes, ao lado do monte Aconcágua, tão desafiado por alpinistas de todo o mundo – as montanhas com seus picos cobertos de neve são de uma beleza indescritível e inevitavelmente alguém sempre vem com aquele comentário muito propício sobre o acidente de avião onde os sobreviventes comeram os mortos congelados! Super animador quando se está num avião bem em cima do tal lugar!

Desta etapa participaram equipes do Brasil, Argentina e Chile – o Legionários, time da Colombia que havia reservado vaga, não apareceu.
Os times foram divididos em 2 chaves:

CHAVE A
Mercenários - BR
Legionários - CO
Moonwalkers - AR
Sombra - CL
PTG - CL
Anguila - CL
CHAVE B
Attack - BR
Barracuda - CL
Replica - CL
Generación - CL
Cazadores de los Andes - AR
Cats & Rats – AR

O trabalho de escolha do local, montagem do campo e toda a estrutura ficou a cargo de Ricardo Lópes (Big Boss) e de Héctor Tejeda e estava muito boa, com o campo montado num gramado perfeito em uma hípica, no alto da montanha onde ao fundo se viam os picos impressionantes da Cordilheira e à frente, lá do alto, se via toda a cidade de Santiago, que por sinal é muito bonita, limpa e organizada. Na sexta-feira à noite eles organizaram um jantar com excelente coquetel de entrada e ótima comida, num dos restaurantes da hípica, com mesas muito bem decoradas, à luz de velas, com uma vista lindíssima. Tudo na estrutura do torneio estava lindo e impecável – Ricardo e Héctor estão de parabéns!

O campo era bem grande e os obstáculos espaçados. Isto fazia com que muitos times não quisessem se arriscar e avançar e muitas partidas terminaram por tempo, sem posse nem colocação de bandeira.

Os times chilenos estão melhorando muito rápido e dando muito trabalho no campo, mas o que realmente chamou minha atenção foi o enorme salto que o Moonwalkers da Argentina deu em seu nível de jogo! No primeiro jogo eles estavam meio acanhados, e eu até comentei com eles de no próximo jogo poderiam levar cadeiras para colocar atrás dos obstáculos, pois alguns jogaram sentados no chão!!! Depois deste primeiro jogo que terminou por tempo pois não deu para levantar e correr para a bandeira, eles pegaram o rítmo e foram melhorando muito, ganhando vários jogos, indo para as semi-finais, inclusive derrotando o Attack num jogo que os colocaria nas finais. Infelizmente neste jogo, o Cordobess não estava jogando e entrou no campo para tirar fotos. Ao ver um jogador do Attack ser atingido longe das vistas do juiz, não resistiu e foi até lá e tirou a tarja do jogador e o eliminou antes do juiz!!! Eu pensei: Fazer isso é o sonho do Caio do Ninjinhas… Bem, esta atitude impetuosa rendeu ao Moonwalkers uma penalidade alta que os tirou das finais. Fiquei com pena do Cordobess… coitadinho queria morrer por causar a desgraça do seu próprio time, mas essa bobeira não tirou o brilho do jogo, mostrando que “Los Lunitas” agora jogam para valer e merecem todo nosso respeito em campo. Além disso, o time deu um verdadeiro exemplo de companheirismo e sportsmanship, pois em nenhum momento seus colegas de time recriminaram seu amigo, ao contrário… foram solidários com sua dor, mostrando que antes de tudo são amigos de verdade. Se fosse no meu torneio certamente teriam ganho o troféu sportsmanship por sua atitude. Outro time que, apesar de jogar sempre na retranca, também jogou direitinho foi o Cazadores de los Andes.

O Attack jogou bem, ganhou vários jogos, mas não estava fazendo um jogo muito agressivo, chegando a perder um por tempo.

Dos times chilenos, o que mais chamava a atenção era o Anguilas, por ser um time novo, mas que apresentou um jogo bem agressivo que surpreendeu seus adversários.

Apesar da excelente estrutura, a equipe de juizes liderada por Pablo Arratia deixou muito a desejar. Muitos dos juizes eram garotinhos de cerca de 10 a 12 anos, que não impunham respeito por sua natural falta de experiência. Os juizes adultos cometeram erros que tiveram grande influência no resultado final do torneio. No sábado, durante as preliminares, praticamente os jogos correram soltos, com muitos jogadores seguindo atirando de pois de eliminados. No domingo, antes do início dos jogos, ainda tentei explicar a eles a importância de se fazer um trabalho justo e imparcial, pois os jogadores percebem claramente quando um juiz tenta ajudar ou prejudicar um time através de posicionamento que pode denunciar a localização, ou de como segurar e mover um jogador na hora de fazer um paint check, de ignorar certas transgressões ou na aplicação de penalidades que não tem motivo. Já havia comentários sobre certas atitudes no sábado e eu queria evitar que a coisa piorasse no domongo. Infelizmente não adiantou. Aplicaram penalidades altas a jogadores do Mercenários, Attack, Moonwalkers e Cazadores e ignoraram outras faltas graves de outros times que deveriam ter sido penalizadas com rigor. Nas finais, aplicaram uma penalidade muito duvidosa de 20 pontos ao Mercenários numa situação de tiro simultâneo no jogo contra o Attack, quando disseram que o Alê seguiu atirando depois de eliminado. Bem, em primeiro lugar, o Alê não tem um histórico de revide de tiro – é um jogador bastante tranqüilo. Em segundo lugar, o Mercenários já tinha mesmo perdido aquele jogo e não faria o menor sentido cavar uma penal bem no fim do jogo só para ferrar ainda mais, mas essa penal aliada a outros fatos que vieram em seguida mudaram totalmente o resultado final. Depois, no jogo do Attack contra o Barracuda, no fim do jogo o juiz deu 1 for 1 para o Attack porque disse que o André atirou depois de eliminado… Como pode ser se eles ficaram todos vivos? Se estavam vivos não havia como dar 1 for 1!!!! Como o jogo já havia terminado, a penal foi em pontos – toma mais 20 de penal para o Attack! No jogo do Mercenários contra o PTG um jogador do PTG eliminado estava dando instruções aos jogadores em campo e o Tony - em jogo, vendo que o juiz ao seu lado não tomava nenhuma atitude, tentou avisar o juiz máximo e foi advertido que se tentasse intereferir receberia mais 20 pontos de penalidade! Foi muito injusto, pois o tal jogador eliminado avisou o jogador em jogo sobre a aproximação do Mark e este foi eliminado. O Mercenários havia perdido apenas 1 jogo nas duas rodadas finais, com jogos fortes e agressivos - como diz o Tony, "ganhamos o campeonato dentro do campo e o perdemos do lado de fora".
No jogo Moonwalkers x Barracudas, o jogador do Barracudas correu para a bandeira com um tiro no peito, pegou a bandeira e ganhou os pontos da primeira posse ante os olhos assustados dos outros jogadores. Em outro jogo das semi-finais Ice (Moonwalkers) ajoelhou-se sobre umas bolinhas e o juiz o eliminou, mesmo enquanto outro juiz afirmava que tinha visto que ele estava limpo quando se ajoelhou e que viu que havia caído com o joelho nas bolinhas (o outro juiz o mandou calar-se e sair…). Coisas semelhantes se passaram com os Cazadores e com Cats & Rats. Segundo as palavras de outros jogadores, “O que aconteceu no Chile foi uma falta de respeito, uma mancha no circuito e faz com que não se queira mais voltar lá”.
Com essa de penalidade para cá, penalidade para lá, PTG foi o campeão, Mercenários Vice Campeão, Attack em Terceiro Lugar e Barracudas em Quarto Lugar.

Classificação Geral:
1º PTG
2º Mercenarios
3º Attack
4º Barracuda
5º Replica
6º Sombra
7º Moonwalkers
8º Cazadores de los Andes
9º Generacion
10º Anguila
11º Cats & Rats
12º Legionarios

Tirando a parte triste, é sempre excelente encontrar os velhos amigos e fazer novos amigos. O já tradicional Menem x Bolocco (Argentinos x Chilenos) foi divertidíssimo. O Alê e o Martk não resistiram e jogaram um de cada lado. Foi um Big game muito engraçado e o Daniel, que teve que ir do jogo para o aeroporto por causa da faculdade não se conforma de não ter jogado também. É bem radical e a melhor parte foi ver o Diego (Moonwalkers) rolando pelo chão tomando tiros e atirando. Já não se sabia quem atirava em quem. O Ricardo saiu com 47 tiros (que se pode contar) – 4 deles na careca! O Benjamin, filho do Marcelo do Sombra, saiu falando sozinho “foi bom demais… foi bom demais…” como que hipinotizado! O pior é que a confusão era tanta que ninguém sabe se ganharam os chilenos ou os argentinos!
Bom, esta foi a primeira etapa do primeiro CSP. Tudo que acontecer neste primeiro circuito servirá de base para o próximo em 2006. Apesar dos erros ocorridos nesta etapa, pudemos perceber o imenso esforço do Ricardo Lopez (jogador do Sombra) que trabalhou incansavelmente para que ao menos sua parte saísse perfeita – e saiu! O que deu errado deverá ser corrigido caso venhamos a fazer outra etapa no Chile em 2006. Não é impossível… é só uma questão de se conscientizar os organizadores de cada etapa de que depois que um torneio começa, ele está nas mãos dos juizes. Os juizes farão do evento um sucesso ou um grande fracasso. Os nomes desses juizes serão lembrados por seus atos e, muitas vezes, o futuro do esporte depende de suas atitudes que podem encorajar seu crescimento ou desacreditar o esporte de tal forma que ele acabará morrendo.
Para espantar os males, na segunda feira pedimos ao Hernán (nosso sempre paciente e simpático motorista de van) que nos levasse a Valparaíso e Viña del Mar. Fomos Tony, eu, Danielle, Mark e sua esposa Elaine y Nacho (Moonwalkers) e sua namorada Clara. Foi um passeio muito bom, até que descobrimos que havíamos gasto quase todo o dinheiro e tivemos que fazer vaquinha juntando até moedas e até pagamos um tanque de diesel para completar o pagamento!!! Que coisa horrível! Ainda bem que Hernán é uma pessoa fantástica e nunca se aborrece… No dia seguinte fomos ao banco sacar dinheiro para irmos para o aeroporto e descobrimos que o Daniel havia levado nossas passagens com ele no domingo! Bem, emitimos outras no aeroporto e finalmente voltamos sãos e salvos de nossa aventura na terras dos pingüins.